Os grafismos do artista baiano-cearense Marco Ribeiro espelham um olhar voltado para a descontinuidade pungente dos elementos e formas da natureza, estampados em seus nanquins, aquarelas, gravuras, fotografias e outros suportes. A visão atenta a essa irregularidade natural, que dá vazão a uma ambígua -- delicada e agressiva -- ressignificação do espaço, busca dar conta da superposição de movimentos conflituosos do humano, do espaço e do tempo: a norma e o desvio. É desse modo que Marco se debruça sobre variados elementos que transbordam a paisagem: O Reino Mineral, que flutua na série Mineralia; a leveza e suspensão arquitetural brutal no seu espaço Desconcreto; as linhas bambas mas precisas da série Dois e a simplicidade elegante que resguarda o continuum possível entre o olhar e o objeto. Porém, é flagrante no conjunto da proposta estética de Marco Ribeiro, não obstante a variedade de seus temas, uma ininterrupção: estão invariavelmente impressas nos seus traços marcas que passeiam desde a tipografia da família até a sua auto-descoberta como artista.